Quando desço as escadas sinto-me como se estivesse numa páginas de "Os Maias". Todas em madeira com uma carpete escarlate presa em cada degrau, como se não bastasse, o senhor que fica a tomar conta durante a noite é o estereotipo visto em qualquer filme ou livro, velhote baixinho de cabelo branco, bigode preto, voz predominantemente nasal e uma giga nas costas, ou corcunda como preferirem...
Apesar de todo este ambiente ser bastante distractivo, tenho ultimamente andado obcecado com o pensamento de contar tudo. Desde que falámos enquanto estava no comboio para cá... ou, pensando bem, desde os açores, sim!, isto começou nos Açores. Bastou calhar "I miss you" com um update dela no facebook e uma sms que me levou a relembrá-la. Dia seguinte a este "incidente" acordei cedo para correr, uma pequena volta pela praia a ouvir Blink non stop, debaixo de chuva, pois estava aquele tempo tipicamente açoreano, isto só me fez reflectir sobre esta ideia maluca, a de contar tudo. É idiota visto que já praticamente nem falamos, como somos completamente incompatíveis, a distância que se foi criando entre nós... (podia não ser nada para ela, o que tinhamos, mas para mim era muito), aquelas guerrinhas que interrompiam estudo...
Mas estou obcecado com a ideia que tenho de lhe contar que sempre quis ser mais que um amigo, que quis fazer coisas com ela que nunca fiz com mais ninguém, partilhar bens como nunca partilhei, ser capaz de estar "à vontade" como nunca estive, mostrar na totalidade o que realmente valho...
Mas fico sempre retraído pela simples razão de que quase não a conheço, de que sou apenas o peão do xadrez que é este mundo, que sou o "geek" enquanto ela é a "cheerleader", que não tenho os 60% de físico ao paço dos 40 psicológicos (já nem desta conversa ela se deve lembrar).
Queria que pelo menos ela me conhece-se na totalidade, visto que muito provavelmente esses conhecimentos já não vou eu receber.

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